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Como fazer um MVP interno em uma semana
Ferramenta interna é o melhor lugar pra começar a construir com IA: usuário conhecido, risco controlado e retorno imediato. Um roteiro de cinco dias que termina com algo em uso.
Se você quer começar a construir com IA dentro da empresa, ferramenta interna é o melhor lugar possível.
Usuário conhecido, sentado a dez metros de você. Dado que já é seu. Risco de imagem baixo. Retorno no mesmo dia.
Cinco dias. Um roteiro.
Dia 1: escolhe e corta
Escolhe um problema que uma pessoa específica tem hoje. Não uma área, não um processo.
Bons candidatos: alguém consolidando informação de três lugares na mão, alguém respondendo a mesma pergunta várias vezes por semana, alguém copiando dado de um sistema pro outro.
Depois de escolher, corta. Escreve o que a primeira versão não vai ter: sem login social, sem relatório, sem painel bonito, sem app de celular, sem histórico.
Essa lista de cortes é o que faz caber na semana. Escopo que cresce no meio é o único motivo real de MVP não ficar pronto.
Define também a frase única do que ele faz. Se precisar de duas frases, corta mais.
É a mesma preparação de antes de pedir a primeira linha.
Dias 2 e 3: constrói a tela principal
Uma tela. A que resolve o problema.
Pede por pedaço, não o sistema inteiro num prompt. Primeiro a estrutura da tela. Depois o que carrega o dado. Depois a ação principal.
A cada pedaço, entende antes de aceitar. Se você não consegue explicar em uma frase o que aquilo faz, pede pra explicar e lê de novo.
Com dado de mentira nesses dois dias. Dado real entra depois, quando a permissão estiver no lugar.
Dia 4: permissão, segredo e erro
O dia que quase todo mundo pula em ferramenta interna, por dois motivos errados: "é só interno" e "é só pra gente".
Ferramenta interna costuma guardar o dado mais sensível da empresa. E uma parte grande delas acaba acessível na internet sem ninguém ter decidido isso.
Três coisas:
Permissão fechada por padrão, aberta só pra quem precisa, conferida no servidor. Segredo em variável de ambiente, nunca dentro do código. Erro visível, com mensagem clara em vez de tela branca. Falha silenciosa em ferramenta interna vira decisão errada tomada com dado errado.
Dia 5: usa de verdade
A pessoa usa. Você olha por cima do ombro sem ajudar.
Onde ela hesita, falta clareza. Onde ela erra, falta validação. Onde ela reclama, tem valor de verdade.
Ajusta o que der em uma tarde. O resto vira lista pra semana que vem, ou nunca, dependendo do uso.
O que acontece na semana seguinte
Um de três resultados, e os três são bons:
Ela usa todo dia. Você acertou. Agora vale investir em melhorar.
Ela usa às vezes. O problema era menor do que parecia. Deixa como está e não investe mais.
Ela não usa. Resposta mais valiosa das três, e custou cinco dias. Você descobriu que o problema não era importante antes de gastar um trimestre nele.
Por que interno antes de externo
Porque erro interno é conversa e erro externo é crise.
Você aprende a construir, a revisar, a subir e a consertar num ambiente que perdoa. Quando chegar a hora de algo que o cliente usa, o processo já está calibrado.
Uma semana. Um problema. Uma pessoa usando.
A decisão é sua.
Perguntas frequentes
Perguntas rápidas
+Por que começar por ferramenta interna?
Porque o usuário é conhecido e acessível, o dado é da própria empresa, o risco de imagem é baixo e o retorno chega no mesmo dia. É o ambiente mais generoso possível para aprender construindo.
+Uma semana é realista?
É, se o escopo for uma tela e um fluxo. O que estoura prazo não é a construção, é o escopo que cresce durante o caminho. Um problema, uma tela, uma pessoa usando.
+Preciso me preocupar com segurança em ferramenta interna?
Sim, e por dois motivos: dado interno costuma ser justamente o mais sensível, e a maioria das ferramentas internas acaba exposta na internet mesmo sem intenção. Permissão e segredo entram no dia 4.
+E se ninguém usar depois de pronto?
Essa é a resposta mais valiosa da semana e custou cinco dias. Significa que o problema não era importante o suficiente, e você descobriu antes de investir um trimestre.
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