Vibecoding
Como revisar código quando metade veio de IA
Revisão foi desenhada pra código escrito por gente, e código de IA erra diferente: é bem formatado, coerente e confiante também quando está errado.
Revisão de código foi desenhada pra um mundo em que gente escrevia o código.
E gente erra de um jeito reconhecível: variável com nome ruim quando estava com pressa, trecho confuso onde não entendeu bem, comentário pedindo desculpa, inconsistência de estilo entre as partes.
O revisor experiente lê esses sinais quase sem perceber. Eles indicam onde olhar com atenção.
Código de IA não tem nenhum desses sinais.
Como a IA erra
Ela erra bonito.
Nome de variável bom. Formatação consistente. Estrutura organizada. Até comentário explicando.
E o erro está embaixo disso: uma suposição sobre o seu negócio que não é verdade, um caso de borda que ela não sabia que existia, uma permissão que ninguém pediu.
A aparência deixou de ser indicador. Esse é o ponto que muda a revisão inteira: você não pode mais usar a forma como atalho pra achar o problema.
As quatro perguntas que substituem
Em vez de ler procurando o que parece estranho, pergunta de propósito:
1. De quem é esse dado, e quem pode ver? A IA implementa o que você pediu, e você raramente pediu "recuse se for de outro usuário".
2. O que acontece quando falha? O padrão dela, sem instrução, é seguir como se tivesse dado certo. Falha silenciosa é o erro mais caro e o menos visível.
3. E nos extremos? Vazio, negativo, gigante, duplicado, fora de ordem. Ela cobre o caminho feliz com excelência.
4. Que suposição ela fez sobre o negócio? Essa é a mais difícil e a mais valiosa, porque é onde mora o erro que só o seu contexto explica.
O problema do volume
Tem uma mudança que nenhuma técnica de leitura resolve.
Antes, um envio grande demorava uma semana pra ficar pronto. Hoje sai numa tarde.
E revisão não escala junto: a qualidade cai rápido conforme o tamanho cresce. Acima de um certo ponto, a revisão vira aprovação com rolagem.
Duas regras ajudam:
Limite de tamanho. Envio grande volta pra ser dividido, sem discussão. Não é rigidez; é a única forma de manter revisão possível.
Separa gerado de escrito. Quando o autor marca o que veio de IA e o que foi decidido por ele, o revisor sabe onde aplicar atenção extra.
A regra que sustenta tudo
Quem envia precisa conseguir explicar cada decisão.
Se a resposta pra "por que está assim?" for "foi o que a IA fez", o envio não está pronto.
Sem essa regra, a revisão inteira recai sobre o revisor: ele vira a primeira pessoa a de fato ler aquilo. E aí não existe revisão, existe terceirização da leitura.
É a mesma ideia de ler todo código que a IA entrega, aplicada ao momento em que o trabalho vira responsabilidade do time.
Onde a IA ajuda na própria revisão
Ela é útil aqui, com um cuidado.
Pedir pra ela revisar o código que ela mesma gerou, na mesma conversa, não funciona: ela já concluiu que está certo.
Funciona em contexto novo, sem o histórico que produziu aquilo, com instrução específica: procure problema de permissão, procure caso de borda não tratado, liste as suposições feitas sobre o negócio.
Isso ajuda a varrer o óbvio e libera o revisor humano pro que importa: a suposição errada sobre o negócio, que só quem conhece a empresa pega.
Revisão não ficou opcional porque a IA escreve bem. Ficou mais necessária, porque agora o erro vem bem vestido.
A decisão é sua.
Perguntas frequentes
Perguntas rápidas
+Por que revisar código de IA é diferente?
Porque os sinais de alerta mudaram. Código gerado vem bem formatado e coerente, então a aparência deixa de indicar cuidado e o revisor precisa olhar consequência, não forma.
+O que procurar primeiro?
Permissão, tratamento de erro, casos de borda e suposições sobre o contexto do negócio. São as quatro áreas em que a IA erra por falta de informação, não por falta de capacidade.
+Volume grande é problema?
É o principal. Revisão de qualidade cai rápido conforme o tamanho do envio cresce, e com IA é trivial submeter em um dia o que antes levava uma semana.
+Quem envia precisa entender o que enviou?
Precisa, e essa é a regra que sustenta o resto. Se o autor não consegue explicar uma decisão, a revisão inteira recai sobre o revisor e deixa de ser revisão.
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