Segurança
Backup que você nunca restaurou não é backup
É uma crença. Existe uma diferença enorme entre ter arquivos sendo copiados e conseguir voltar a operar, e a maioria só descobre qual tem no pior dia possível.
Pergunta pra qualquer empresa se existe backup e a resposta é sim.
Pergunta quando foi a última vez que alguém restaurou e testou. O silêncio responde.
Essas duas perguntas separam duas coisas muito diferentes.
Ter cópia e conseguir voltar
Backup existe quando arquivos estão sendo copiados pra algum lugar.
Backup funciona quando você consegue, a partir daquela cópia, voltar a operar.
A distância entre as duas é onde moram os desastres. E ela só é medida de um jeito: restaurando.
Os quatro modos de falha
Todos silenciosos. Nenhum avisa.
A rotina parou. Mudou uma credencial, estourou o espaço, alguém mexeu numa configuração. A cópia simplesmente deixou de acontecer, e como nada quebra enquanto você não precisa, descobre-se meses depois.
A cópia está incompleta. O backup pega o banco e não pega os arquivos enviados pelos usuários. Ou pega os dois e não pega as configurações. Você restaura e tem metade de um sistema.
Ninguém sabe restaurar. O arquivo está íntegro, e a pessoa que sabia o procedimento saiu da empresa. Aprender durante o incidente é a pior condição possível.
Demora demais. O backup funciona e leva dezoito horas pra restaurar. Se o negócio não aguenta dezoito horas parado, esse backup não resolve o seu problema.
O teste, uma vez por trimestre
Não é complicado e não precisa ser perfeito.
Restaura numa cópia separada. Nunca por cima da produção. O objetivo é testar, não arriscar.
Confere se o sistema funciona, não só se o arquivo abre. Entra, navega, procura um registro que você sabe que existe. Arquivo íntegro com sistema que não sobe não é recuperação.
Cronometra. Esse número é o seu tempo real de recuperação. Até medir, é chute.
Anota o procedimento. Enquanto faz, escreve os passos. Isso vira o roteiro que alguém vai seguir sob pressão, e sob pressão ninguém improvisa bem.
Uma hora por trimestre. É o item de maior retorno do checkup de manutenção.
As três perguntas que o teste responde
Quanto dado eu perco? A distância entre o último backup e o momento da falha. Se a cópia é diária, você pode perder um dia. Aceitável ou não é decisão de negócio, não técnica.
Quanto tempo fico fora? O número que você acabou de cronometrar.
O que não volta? Quase sempre tem algo fora do backup, e é melhor descobrir agora.
O caso específico de quem usa serviço gerenciado
Muita gente assume que está coberta porque o provedor faz backup automático.
Cobre parte, e vale confirmar três coisas: por quanto tempo as cópias ficam guardadas, o que exatamente está incluso, e como se restaura.
A descoberta mais comum é que o backup do provedor cobre o banco de dados e não cobre os arquivos que os usuários enviaram, que costumam estar em outro serviço. São dois backups, não um.
Por que isso é tratado como opcional
Porque é o trabalho mais ingrato que existe: ninguém elogia backup testado, e o resultado de fazer certo é que nada acontece.
Só que o custo de descobrir no dia errado não é técnico. É perder dado de cliente sem ter como recuperar, e não existe conserto retroativo pra isso.
Backup não testado é uma aposta que você faz todo dia sem saber.
A decisão é sua.
Perguntas frequentes
Perguntas rápidas
+Com que frequência testar a restauração?
Uma vez por trimestre resolve para a maioria dos projetos pequenos. O que importa é a regularidade, porque o que se procura é detectar quando algo parou de funcionar.
+O que exatamente testar?
Restaurar numa cópia separada e verificar se o sistema volta a funcionar com aquele dado, não apenas se o arquivo abre. E cronometrar quanto tempo levou.
+Qual a falha mais comum em backup?
A rotina ter parado sem alerta. Como ninguém olha enquanto nada dá errado, costuma-se descobrir meses depois, na hora em que o backup seria necessário.
+Backup automático do provedor é suficiente?
Ajuda, mas não dispensa saber o prazo de retenção, o que está incluso e como restaurar. Muita gente descobre tarde que o backup do provedor cobre o banco e não cobre os arquivos.
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